Guia de Prescrição Clínica · Guia de Prescrições — 2ª edição · p. 48
Blefarite / meibomite — disfunção das glândulas de meibômio
01Visão geral
Descrição
inflamação crônica da margem palpebral, podendo acometer cílios e glândulas de Meibômio, frequentemente associada à disfunção da camada lipídica lacrimal.
Contexto clínico
comum em pacientes com olho seco, dermatite seborreica, rosácea, uso prolongado de telas/lentes de contato e episódios recorrentes de hordéolo.
Sinais e sintomas
ardor, prurido, sensação de areia, hiperemia palpebral, crostas nos cílios, secreção meibomiana espessada, lacrimejamento e visão flutuante.
Complicações
Não informado no documento
02Prescrição principal
Via(s) de administração: Uso Palpebral, Oftálmica
Uso Palpebral
1
Compressas mornas
uso contínuo
Princípio ativo
Compressas mornas
Concentração
Não informado no documento
Dose
Não informado no documento
Via
Não informado no documento
Frequência
4x/dia
Duração
Não informado no documento
Posologia e orientações (texto original)
Aplicar sobre as pálpebras fechadas por 5–10 minutos, 2–4x/dia, seguida de massagem suave em direção à margem palpebral.
2
Higienizador palpebral / solução própria para pálpebras
1 frasco
Princípio ativo
Higienizador palpebral / solução própria para pálpebras
Concentração
Não informado no documento
Dose
Não informado no documento
Via
Não informado no documento
Frequência
2x/dia
Duração
Não informado no documento
Posologia e orientações (texto original)
Realizar higiene delicada da margem palpebral 1–2x/dia, principalmente após a compressa morna.
Uso Oftálmico
3
Carboximetilcelulose 0,5% colírio
1 frasco
Princípio ativo
Carboximetilcelulose
Concentração
0,5%
Dose
1 gota
Via
Oftálmica
Frequência
Não informado no documento
Duração
Não informado no documento
Posologia e orientações (texto original)
Pingar 1 gota em cada olho de 4/4–6/6h, se ardor ou ressecamento.
03Alternativas terapêuticas
Opções a considerar conforme o caso — não devem ser usadas simultaneamente à prescrição principal.
Blefarite anterior bacteriana com crostas importantes: considerar eritromicina oftálmica 0,5% pomada, fina camada na margem palpebral 1–2x/dia por 7–14 dias, conforme disponibilidade/protocolo. Antibiótico tópico não é necessário em todos os casos.
Meibomite/blefarite posterior refratária ou associada à rosácea: doxiciclina VO pode ser considerada por seu efeito anti-inflamatório; a dose e duração variam entre protocolos — conferir protocolo atualizado/oftalmologia.
Suspeita de Demodex: tratamento é específico; não tratar automaticamente como blefarite bacteriana.
Gestão/lactação: evitar tetraciclinas sistêmicas, incluindo doxiciclina.
04Observações e cuidados
Compressa morna + higiene palpebral são a base do tratamento e devem ser mantidas também entre exacerbações nos casos recorrentes.
Lágrimas artificiais auxiliam quando há olho seco associado.
Corticoide oftálmico não deve ser prescrito rotineiramente sem avaliação oftalmológica, devido a risco de hipertensão ocular, catarata e agravamento de infecções.
Doxiciclina pode causar fotossensibilidade e sintomas gastrointestinais; não utilizar em gestantes/lactantes.
Dor ocular intensa, fotofobia importante ou redução da acuidade visual sugerem acometimento corneano/outro diagnóstico e exigem reavaliação.
05Contraindicações, gravidade e encaminhamento
Doxiciclina pode causar fotossensibilidade e sintomas gastrointestinais; não utilizar em gestantes/lactantes.
Material de referência documental e apoio ao estudo, extraído do Guia de Prescrições (2ª edição). Não substitui a avaliação clínica individual: toda prescrição deve ser avaliada por profissional habilitado e conferida com protocolos atualizados.