Guia de Prescrição Clínica · Guia de Prescrições — 2ª edição · p. 16

Cólica renal / ureterolitiáse / nefrolitiáse

01Visão geral

Descrição
dor aguda causada principalmente pela migração de cálculo pelo ureter, com aumento da pressão e espasmo do trato urinário.
Contexto clínico
comum em adultos com história prévia de cálculos, baixa ingestão hídrica, dieta rica em sódio/proteína, alterações metabólicas ou história familiar de litíase.
Sinais e sintomas
dor intensa em flanco/lombar, geralmente em cólica e com irradiação para abdome inferior, virilha ou genitais; náuseas, vômitos, hematúria e inquietação são frequentes.
Complicações
obstrução urinária, hidronefrose, lesão renal aguda e pielonefrite/sepse quando associada à infecção.

02Prescrição principal

Via(s) de administração: Oral

Uso Oral

1

Cetoprofeno 100 mg

10 comprimidos
Princípio ativo
Cetoprofeno
Concentração
100 mg
Dose
1 comprimido
Via
Oral
Frequência
de 12/12h
Duração
por até 5 dias

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 comprimido VO de 12/12h, se dor, por até 5 dias. Usar somente se não houver contraindicação a AINE.

2

Dipirona 1 g

20 comprimidos
Princípio ativo
Dipirona
Concentração
1 g
Dose
1 comprimido
Via
Oral
Frequência
de 6/6h
Duração
Não informado no documento

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 comprimido VO de 6/6h se dor, como analgesia complementar/resgate.

3

Tramadol 50 mg

10 comprimidos
Princípio ativo
Tramadol
Concentração
50 mg
Dose
1 comprimido
Via
Oral
Frequência
de 8/8h
Duração
Não informado no documento

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 comprimido VO de 8/8h se dor intensa não controlada, por curto período.

4

Tansulosina 0,4 mg

30 comprimidos
Princípio ativo
Tansulosina
Concentração
0,4 mg
Dose
1 cápsula
Via
Oral
Frequência
1x/dia
Duração
por até 4 semanas

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 cápsula VO, 1x/dia, por até 4 semanas. Indicar principalmente em cálculo ureteral distal de 5–10 mm, candidato a tratamento conservador.

03Alternativas terapêuticas

Opções a considerar conforme o caso — não devem ser usadas simultaneamente à prescrição principal.

  • Tansulosina não é necessária para todo cálculo; benefício é maior em cálculos ureterais distais >5 mm.
  • Gestação: evitar tratamento expulsivo de rotina; analgesia e conduta devem ser individualizadas. AINEs exigem cautela/contraindicação conforme idade gestacional.
  • DRC, úlcera péptica, anticoagulação ou alto risco cardiovascular: evitar ou individualizar AINE.

04Observações e cuidados

  • AINE é primeira escolha para analgesia da cólica renal quando não contraindicado.
  • Escopolamina/antiespasmódicos não são recomendados rotineiramente para cólica renal.
  • Opioides deve ficar como resgate, se analgesia inicial for insuficiente ou contraindicada.
  • Tansulosina para expulsão de cálculo é uso off-label; maior evidência para cálculo ureteral distal de 5–10 mm.
  • Cálculos <5 mm, especialmente distais, apresentam elevada chance de eliminação espontânea.
  • Não utilizar tansulosina automaticamente para cálculos localizados apenas no rim.
  • Febre/ITU associada à obstrução, anúria, deterioração da função renal ou dor refratária configuram situação de maior gravidade e podem exigir descompressão urológica.
  • Solicitar função renal, EAS e imagem conforme quadro; TC sem contraste é referência em adulto, enquanto ultrassonografia é preferida em situações específicas, como gestação.

05Contraindicações, gravidade e encaminhamento

  • AINE é primeira escolha para analgesia da cólica renal quando não contraindicado.
  • Opioides deve ficar como resgate, se analgesia inicial for insuficiente ou contraindicada.
  • Não utilizar tansulosina automaticamente para cálculos localizados apenas no rim.
  • Febre/ITU associada à obstrução, anúria, deterioração da função renal ou dor refratária configuram situação de maior gravidade e podem exigir descompressão urológica.

Material de referência documental e apoio ao estudo, extraído do Guia de Prescrições (2ª edição). Não substitui a avaliação clínica individual: toda prescrição deve ser avaliada por profissional habilitado e conferida com protocolos atualizados.