Guia de Prescrição Clínica · Guia de Prescrições — 2ª edição · p. 79

Mordedura de cão / ferimento por animal

01Visão geral

Descrição
ferimento traumático causado por mordedura de cão, com risco de lesão tecidual, infecção bacteriana, tétano e exposição ao vírus da raiva.
Contexto clínico
pode variar de escoriações superficiais a ferimentos profundos, puntiformes, múltiplos ou extensos. Mãos, face, pés e áreas próximas a articulações apresentam maior risco de complicações.
Sinais e sintomas
dor, escoriação, perfuração ou laceração, edema, equimose e sangramento. Infecção pode cursar com eritema progressivo, calor, secreção purulenta e febre.
Complicações
celulite, abscesso, infecção profunda, lesão tendínea/neurovascular, osteomielite, tétano e raiva.

02Prescrição principal

Via(s) de administração: Oral

Uso Oral

1

Amoxicilina + clavulanato 500 mg + 125 mg

21 comprimidos
Princípio ativo
Amoxicilina + clavulanato
Concentração
500 mg, 125 mg
Dose
1 comprimido
Via
Oral
Frequência
de 8/8h
Duração
por 7 dias

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 comprimido VO de 8/8h por 7 dias, quando houver infecção ou ferimento com indicação de antibioticoterapia.

2

Ibuprofeno 600 mg

9 comprimidos
Princípio ativo
Ibuprofeno
Concentração
600 mg
Dose
1 comprimido
Via
Oral
Frequência
de 8/8h
Duração
por até 3 dias

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 comprimido VO de 8/8h, após alimentação, se dor/inflamação, por até 3 dias.

3

Dipirona 500 mg

20 comprimidos
Princípio ativo
Dipirona
Concentração
500 mg
Dose
1 a 2 comprimidos
Via
Oral
Frequência
de 6/6h
Duração
Não informado no documento

Posologia e orientações (texto original)

Tomar 1 a 2 comprimidos VO de 6/6h, se dor ou febre.

03Alternativas terapêuticas

Opções a considerar conforme o caso — não devem ser usadas simultaneamente à prescrição principal.

  • Ferimento de baixo risco, superficial e sem sinais de infecção: antibiótico sistêmico pode não ser necessário.
  • Profilaxia antibiótica é mais relevante em feridas profundas, mãos, face, pés, imunossupressão, diabetes, esmagamento ou apresentação tardia.
  • Alergia importante a penicilinas: escolher alternativa conforme perfil clínico e protocolo atualizado.
  • DRC: avaliar função renal e ajustar amoxicilina/clavulanato; evitar ou individualizar AINE.
  • Gestação: evitar AINEs especialmente após 20 semanas; individualizar analgesia.

04Observações e cuidados

  • Lavar imediatamente e abundantemente o ferimento com água corrente e sabão.
  • Avaliar profundidade, estruturas nobres, necessidade de exploração e eventual sutura.
  • Mordeduras geralmente não devem ser suturadas primariamente, salvo situações selecionadas.
  • Avaliar e atualizar profilaxia antitetânica conforme histórico vacinal e características do ferimento.
  • Avaliar sempre profilaxia antirrábica conforme tipo de exposição e animal agressor.
  • Cão/gato saudável e passível de observação: manter observação por 10 dias conforme protocolo vigente.
  • Se o animal adoecer, apresentar alteração comportamental, morrer ou desaparecer durante a observação: reavaliar imediatamente a indicação de vacina/soro antirrábico.
  • Ferimentos em cabeça, face, pescoço, mãos, pés, profundos, múltiplos ou extensos são exposições de maior risco e podem exigir profilaxia antirrábica mesmo durante observação do animal — conferir protocolo atualizado.
  • Antibiótico não é obrigatório em toda mordedura; indicar conforme risco de infecção.
  • Evitar AINE em DRC, LRA, sangramento/úlceras gastrointestinais, anticoagulação de alto risco ou desidratação importante.
  • Febre, secreção purulenta, eritema progressivo, necrose, aumento importante da dor ou limitação funcional exigem reavaliação.

05Contraindicações, gravidade e encaminhamento

  • Lavar imediatamente e abundantemente o ferimento com água corrente e sabão.
  • Se o animal adoecer, apresentar alteração comportamental, morrer ou desaparecer durante a observação: reavaliar imediatamente a indicação de vacina/soro antirrábico.

Material de referência documental e apoio ao estudo, extraído do Guia de Prescrições (2ª edição). Não substitui a avaliação clínica individual: toda prescrição deve ser avaliada por profissional habilitado e conferida com protocolos atualizados.