Guia de Prescrição Clínica · Guia de Prescrições — 2ª edição · p. 66
Queimadura química ocular
01Visão geral
Descrição
lesão da conjuntiva e/ou córnea após contato com substância química ácida ou alcalina. É uma emergência oftalmológica, especialmente nas exposições a álcalis.
Contexto clínico
ocorre após contato ocular com produtos de limpeza, cimento/cal, produtos industriais, solventes ou outras substâncias corrosivas.
Sinais e sintomas
dor intensa, ardor, hiperemia, lacrimejamento, fotofobia, blefaroespasmo e redução da acuidade visual.
Aplicar pequena quantidade no saco conjuntival do olho afetado, 3 a 4 vezes ao dia, por 5–7 dias, se houver defeito epitelial corneano, conforme evolução clínica.
03Alternativas terapêuticas
Opções a considerar conforme o caso — não devem ser usadas simultaneamente à prescrição principal.
Ciclopentolato 1%: considerar se dor importante/fotofobia por espasmo ciliar; usar conforme avaliação oftalmológica/protocolo atualizado.
Antibiótico oftálmico alternativo pode ser utilizado conforme disponibilidade e características da lesão.
Corticoide oftálmico pode ter indicação em queimaduras selecionadas, porém somente sob orientação oftalmológica.
Queimaduras moderadas/graves podem necessitar tratamentos adicionais especializados; conferir protocolo atualizado.
04Observações e cuidados
Irrigação imediata e abundante é a principal conduta inicial. Não aguardar exame completo para iniciar.
Irrigar com SF 0,9%, solução balanceada ou, na ausência, água limpa, geralmente utilizando vários litros.
Manter irrigação até atingir pH conjuntival aproximadamente 7,0–7,2, reavaliando após interrupção.
Everter as pálpebras e remover partículas químicas retidas nos fundos de saco conjuntivais.
Avaliar acuidade visual, córnea com fluoresceína e extensão da lesão após irrigação.
Evitar fenilefrina na queimadura química ocular pela vasoconstrição e potencial piora da isquemia.
Não utilizar corticoide ocular por conta própria; risco de complicações corneanas se usado inadequadamente.
Redução visual, opacidade corneana, defeito epitelial extenso, isquemia conjuntival ou dor importante exigem avaliação oftalmológica urgente.
05Contraindicações, gravidade e encaminhamento
Irrigação imediata e abundante é a principal conduta inicial. Não aguardar exame completo para iniciar.
Não utilizar corticoide ocular por conta própria; risco de complicações corneanas se usado inadequadamente.
Material de referência documental e apoio ao estudo, extraído do Guia de Prescrições (2ª edição). Não substitui a avaliação clínica individual: toda prescrição deve ser avaliada por profissional habilitado e conferida com protocolos atualizados.