Guia de Prescrição Clínica · Guia de Prescrições — 2ª edição · p. 61
Sífilis
01Visão geral
Descrição
infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum, com manifestações clínicas variáveis conforme o estágio.
Contexto clínico
ocorre após exposição sexual; a fase primária costuma apresentar cancro, a secundária manifestações sistêmicas/cutâneas e a latente recente pode ser assintomática.
Sinais e sintomas
úlcera geralmente única e indolor; linfonodomegalia; exantema, inclusive palmas e plantas; placas mucosas, condiloma plano ou ausência de sintomas.
Complicações
neurosífilis, sífilis ocular/otológica, doença cardiovascular, manifestações terciárias e transmissão vertical na gestação.
02Prescrição principal
Via(s) de administração: Intramuscular
Uso IM
1
Benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI
dose única
Princípio ativo
Benzilpenicilina benzatina
Concentração
2.400.000 UI
Dose
400.000 UI
Via
Intramuscular
Frequência
em dose única
Duração
Não informado no documento
Posologia e orientações (texto original)
Administrar 2.400.000 UI IM em dose única, divididas em 1.200.000 UI em cada glúteo.
03Alternativas terapêuticas
Opções a considerar conforme o caso — não devem ser usadas simultaneamente à prescrição principal.
Sífilis tardia ou duração ignorada: benzilpenicilina benzatina 2.400.000 UI IM, 1x/semana por 3 semanas. Dose total: 7.200.000 UI.
Alergia à penicilina, não gestante: doxiciclina 100 mg VO de 12/12h por 15 dias para sífilis recente; garantir seguimento adequado.
Gestante: penicilina é o único tratamento considerado adequado para prevenir sífilis congênita. Se alergia confirmada, realizar dessensibilização e tratar com penicilina.
Neurosífilis, sífilis ocular ou otológica: não utilizar este esquema isoladamente; tratamento específico com penicilina cristalina EV conforme protocolo atualizado.
04Observações e cuidados
Confirmar estadiamento antes de definir o número de doses.
Registrar VDRL/RPR quantitativo antes ou no início do tratamento para comparação no seguimento.
Realizar controle com teste não treponêmico conforme protocolo; em não gestantes, geralmente trimestral por até 12 meses.
Gestantes: acompanhamento com teste não treponêmico mensal.
Teste treponêmico pode permanecer reagente mesmo após tratamento adequado; não é utilizado isoladamente para avaliar resposta terapêutica.
Avaliar/testar parcerias sexuais e tratar quando indicado para reduzir reinfeção.
Oferecer investigação para HIV e outras IST conforme contexto clínico.
Pode ocorrer reação de Jarisch-Herxheimer nas primeiras 24h: febre, cefaleia, mialgia e piora transitória das lesões; não confundir automaticamente com alergia à penicilina.
Na presença de sintomas neurológicos, visuais ou auditivos, investigar neurosífilis/sífilis ocular ou otológica antes de aplicar apenas o esquema habitual.
05Contraindicações, gravidade e encaminhamento
Não informado no documento
Material de referência documental e apoio ao estudo, extraído do Guia de Prescrições (2ª edição). Não substitui a avaliação clínica individual: toda prescrição deve ser avaliada por profissional habilitado e conferida com protocolos atualizados.